Criança indefesa

taking temperatureQuem já teve nos braços um bebê ardendo de febre, sabe quanto um coração consegue doer de tristeza pela impotência de não poder trocar de lugar com ele.

Discordo, entretanto, quando dizem que os bebês são indefesos. Ao contrário, são muito fortes, uns sobreviventes.

As criaturinhas têm o melhor sistema de alarme do mundo. Quando começam a chorar, para nos fazer entender que necessitam de algo, nós, principalmente as mulheres, sentimos uma agonia tão grande que é impossível pelo menos não tentar satisfazer seus desejos para que cesse aquele som exasperador.

Quantas vezes vemos desastres calamitosos, onde morre muita gente, mas nos escombros um chorinho é escutado e um bebê é salvo.

Ainda falando em sistema de defesa das crianças, pensamos: São tão fraquinhas. Mas nos esquecemos de que, como quase parte integrante delas, existe a mãe. E a natureza a programou com um “aplicativo” que, ao menor sinal de perigo de seu filhote, transforma-se em uma fúria de titã, quase como aqueles carrinhos simpáticos se transformam em robôs intimidadores.

Há pouco assisti uma série de vídeos falando dos superpoderes dos pais, que muito ágeis e rápidos, e salvam seus filhos de acidentes que poderiam ser muitas vezes fatais. São os ídolos de seus filhos, por sua força, agilidade e conhecimentos. Nos dias de hoje, vemos muitas crianças serem criadas sem essa possibilidade.

O benefício de ser avô é justamente o de já ter passado pela maioria desses problemas, e ter a tranquilidade de saber que tudo vai dar certo na maioria das vezes; além de não ter a responsabilidade pela criação dos netos.

Acredito que crianças criadas com regras, sabendo que devem respeitar seus semelhantes, são mais seguras e, portanto, mais felizes.  Muitos pais de hoje estão reféns das vontades de seus filhos, permitindo que os peraltas cometam todo o tipo de barbaridade sem força suficiente para coibi-los. Certamente serão desajustados no futuro, e terão que sofrer muito para se adaptar ao mundo real. Já os avós têm carta branca para “estragar” as crianças, e isso em nada afetará suas vidas.

Temos mesmo que zelar por nossas crianças. Entretanto, muitos exacerbam, de tal sorte que por pouco não colocam seus rebentos dentro de redomas de vidro, na ilusão de que nada os poderá atingir.

Crianças sempre sofrerão acidentes indesejados, seja um arranhão, uma topada, e não há como evitar. Uma coisa que criança adora é gira-gira. É muito difícil não aumentar as batidas de nossos corações imaginando o que aconteceria se caíssem, mas não é desejável impedir que brinquem de girar.

Retirar o brinquedo não é solução. O melhor é acompanhar e ensinar até onde a criança poderá chegar, levando em conta a idade, pois se a criança cair da cama, por exemplo, o que fazer? Retirar a cama?

Não é tarefa fácil, mas é extremamente gratificante.

Bebês nascem com a capacidade de, com um simples sorriso banguela, nos trazer uma enorme alegria e nos fazer amá-los, de maneira impensável.

Criança?! Eu recomendo.

Saia pregueada

1965-a-fotoDizer que o país continua o mesmo depois de uma ausência de quase três semanas seria leviandade, mas dá vontade. As mudanças foram sutis, tanto para o bem como para o mal. A economia continua piorando, e as investigações sobre os malfeitos avançam a passos de tartaruga, mas avançam. O cerco se fecha, vagarosa, mas tenazmente.

Ah! Como eu queria encontrar no meu retorno o país livre dos corruptos que o sugam! Entretanto, seus risos hipócritas começam a esmaecer e amarelar.

Adoro este país, apesar de tudo. Tive a oportunidade de passear pelo lindo e bem-organizado interior da França. Paisagens lindíssimas, e o povo parece que mudou muito desde a última vez em que lá estive. Procuram ser simpáticos e auxiliar os turistas, os mais jovens já falam inglês, e se eu quisesse praticar um pouco do parco francês que adquiri às custas de muitas aulas, tinha que me dirigir aos mais velhos.

Quero aproveitar e fazer um tributo à tecnologia, que me permitiu viajar por milhares de quilômetros sem um mapa de papel na mão e quase sem me perder, a não ser por uma escapada para Genebra, porque o chip, válido somente na França, obviamente não funcionou. Aquele aparelhinho que cabia na palma da minha mão continha todas as informações de que eu necessitava.

Sim, o meu país tem muitos defeitos, mas adoro voltar pra cá apesar disso. O calor da família e dos amigos nos acolhe, faz nossa vida ter sentido.

Tive a oportunidade de encontrar duas amigas de muitas décadas e usufruir de sua companhia deliciosa. Elas saíram há muitos anos do Brasil, mas o Brasil não saiu delas. Me acolheram com muita alegria, mas pude constatar que sentem muita falta de tudo o que o Brasil tem de bom, apesar de todas as regalias que um governo decente proporciona.

Muitas vezes o desânimo quer tomar conta, mas em seguida você topa com atitudes tão dignas e morais, e percebe que a maioria do povo não é nociva, mas tem, sim, um grau de tolerância com as irregularidades que beira a ingenuidade. Gente que faz grupinhos no bar para falar mal, quando está de frente para o indivíduo a quem se referiam, imediatamente o acolhem, sem coragem de lhe dizer na cara o que pensam.

Na minha opinião, esse é o maior problema do país. Não sabemos exigir o que precisamos e queremos.

Me desculpo com meus leitores pela ausência, mas sabem como é quando a gente está passeando, a cabeça não funciona direito.

Aproveito para agradecer à Wilma e à Cristina pela acolhida, e dizer que ainda guardo comigo o calor de seus abraços. Pareceu-me que ainda estávamos com nossas saias pregueadas azul marinho e camisa com o emblema da escola.

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Nunca antes na minha história

lula-bebado-51Nunca antes na história de minha vida cheguei tão fundo na minha descrença em meu país que tanto adoro.

Eu já sabia tudo o que ia acontecer, como se fosse uma lei da física. Acho que os anos que passei na carteira da faculdade de economia serviram para colocar bem no fundo de minha mente algum “feeling” que muito me ajudou quando eu tinha um pequeno negócio, quando consegui, sempre dedicando em primeiro lugar tempo para minha família, ser bem sucedida financeiramente. Não que eu almejasse grandes fortunas, somente algo que me desse segurança nos anos que se sucederiam.

Pois bem, como eu temia, não podia dar outra. As atitudes de nossos governantes fatalmente nos levariam à recessão, à inflação, ao caos político, econômico e financeiro, falta de segurança, falta de saúde, de educação etc. Nem precisava ter ficado sentada diante dos professores por quatro longos anos para saber o que qualquer dona de casa atenta saberia com antecedência, sem dificuldade.

Quando somente os coxinhas trabalham mais de cinco meses por ano para sustentar o resto da população — que somente quer receber “bolsas tudo” —, presidiários ociosos e a corrupção estratosférica, só podia dar no que deu.

E o pior ainda está por vir. A falta de credibilidade externa vai trazer como consequência a diminuição de investimentos. A diminuição dos empregos já pode ser sentida nas esquinas de São Paulo, para onde voltaram os malabaristas à cata de trocados.

As mesas de restaurantes, outrora abarrotados, com imensas filas, já estão vazias. Os compradores no supermercado avaliam cuidadosamente os preços, substituindo as mercadorias pelas mais em conta.

Fico inconformada, pensando como podem os causadores de todos esses problemas para toda uma nação permanecerem com cara de paisagem, como se nada disso lhes dissesse respeito. Vou confessar a todos que eu, uma filha da revolução que passou anos a fio desejando a liberdade de volta, me peguei esta manhã, com os jornais do dia nas mãos, considerando que a única salvação que vejo é a tomada do poder pelos militares, golpe mesmo, pois esse câncer governamental está num processo de metástase tão entranhado em todas as instâncias que não há como tirá-lo das tetas a não ser à força.

Tudo bem, foi somente um instante, já passou. Ainda vou me dar muitos tratos à bola para tentar encontrar outra saída. Quem sabe um porre, que seja finalmente fatal para o mentor e chefe de tudo, ou o esquecimento do capacete nos passeios singelos de bicicleta do “poste” resultando numa queda mortal.

São somente sonhos e desejos, como sei que são os de milhões de brasileiros.

Talvez tudo isso seja necessário para que o nosso povo finalmente aprenda a votar, pois aquele que engendrou tudo isso está querendo voltar para o lugar de onde nunca saiu realmente.

Já apelei ao Chapolin, mas nada aconteceu. Agora vou tentar esferas mais altas. Quem sabe terei algum sucesso.

Jaca doce

foto kkFalando bem a verdade, eu estava exausta e com preguiça. Já tinha decidido que não escreveria minha crônica semanal.

Entre outros compromissos, tinha um almoço surpresa para comemorar o aniversário de uma amiga, também escritora. Esta sim, desde sempre, não como eu de última hora, tendo se dedicado desde a juventude às letras e à literatura. Foi uma grande incentivadora nos meus primeiros passos nessa arte.

Pois bem, essa mulher que hoje completou um aniversário que poucos conseguem atingir, mais uma vez me deu um ensinamento. Não vou dizer a idade, pois ela não gosta.

Ao abrir o computador nesta manhã ensolarada dei de cara com mais uma de suas deliciosas histórias, me encantei com seu conto da macumbinha.

Essa mulher que tem uma luz invulgar está com sérios problemas na única vista que lhe restou, não enxergando mais para escrever à mão. Só mesmo o benefício da luz do computador a ajuda, e apesar disso ela está escrevendo.

Reli também os escritos do Renato, outro querido de noventa e muitos, que diz um pouco da falta que sua companheira lhe faz. Foi um chute na bunda.

Ia dizendo que levantei da cadeira e fui trabalhar, mas na verdade sentei-me diante da máquina e aqui está minha pequena contribuição para os leitores.

A nós, seres humanos, não nos resta nada a não ser aceitar o inevitável, sem possibilidade de plano B. Todos almejamos largar a carcaça num átimo sem ter que lidar com as atribulações de um corpo doente. Mas a poucos é concedida a graça de cair de uma vez como uma maçã, o que geralmente acontece é ir caindo aos pedaços, como uma jaca velha. Perdemos aos poucos o viço, as forças, a ligeireza, os sentidos (todos os cinco) e muitos de nós a sanidade mental.

Na festa estavam muitos amigos e seus familiares, que a tratavam com todo o carinho e atenção que ela merece. Merece, pois nunca reclama de nada, tendo sempre um sorriso nos lábios e distribuindo suas pérolas de ensinamentos. Até hoje ainda dá jeito de contribuir com seu trabalho congregando os escritores do clube que a adoram; e quando não vai, sua falta é muito sentida.

A cada presente que ela abria uma surpresa genuína, era como abrir o pacote de uma linda boneca no Natal. O sorriso de satisfação e os agradecimentos com beijos e abraços genuínos enchiam seu rosto de luz. Uma linda menina, a Cacá. Menina vaidosa. Se recusa a usar óculos.

Hoje estava toda bonitinha num vestido roxo batata, que segundo ela lhe caía bem. Usava sapatos de saltos altos, já que se recusou a usar uns mais confortáveis.

Tem algumas mulheres bem mais velhas do que eu as quais muito admiro por sempre estarem cercadas de gente que adora sua companhia. Tento seguir seus passos, mas para mim não é tão natural assim ser simpática. São bisavós fortes, que conseguem ser sinceras sem magoar ninguém.

Percebo que já começo a ser exemplo para amigas bem mais jovens. Tenho que tomar bastante tento com isso, o compromisso é grande, mas tenho grandes mestras.

O niver foi seu, Cacá, mas o presente foi meu, por estar mais uma vez em sua companhia, aproveitando seu convívio. Seu nome vem bem a calhar para você, Carmen Rocha. Parabéns.

Carta de fã

Não resisto. Vou publicar carta de fã.

Livro - Nada deu certo naquela tardeESCRITORA PRISCILA FERRAZ

–ESTOU LENDO O LIVRO. CHEGUEI À PG.151
–PRETENDIA TERMINAR A LEITURA ANTES DE LHE ESCREVER, MAS NÃO RESISTI AO IMPULSO DE CUMPRIMENTÁ-LA PELO BRILHO DE SUA ESCRITA.
–QUEM GOSTA DE LER E ESCREVAR, FATALMENTE ARVORA-SE UM POUCO EM CRÍTICO LITERÁRIO. QUANTO MAIS NÃO SEJA, PARA FAZER SABER
AO ESCRITOR (A) QUE ESTÁ LENDO O LIVRO, E NÃO O GUARDOU NA PRATELEIRA PARA LER NOUTRA OCASIÃO.
–NO CASO DO LIVRO EM FOCO, A AUTORA JÁ TEM SUAS QUALIDADES AMPLAMENTE RECONHECIDAS; QUALQUER ENCÔMIO SOA REDUNDANTE.
–NINGUÉM CONSEGUIRIA ABORDAR TEMAS TÃO DIVERSIFICADOS, SE NÃO FOSSE PORTADOR DE CULTURA GERAL ABRANGENTE, DE VOCABULÁ-
RIO MUITO RICO, DE REFINADO SENSO DE HUMOR.
–CLARO: TRATANDO-SE DE CRÔNICAS, HÁ MUITO CUNHO PESSOAL; NEM TODOS OS CONCEITOS SÃO UNANIMIDADE, O QUE MAIS VALORIZA OS
TEXTOS.
–TOMO A LIBERDADE DE ENVIAR DOIS TEXTOS QUE ESCREVI HÁ ALGUM TEMPO, E QUE TALVEZ SEJAM INDICAÇÃO PARA TEMAS PARA O FUTURO,
CERTAMENTE PARA BEM DEPOIS DO 103o. ANIVERSÁRIO DA ESCRITORA…

ABRAÇO
RENATO DE LUCCIA

O jacaré gigante

alligator1O rapaz era muito forte e ligeiro, acostumado a viver na natureza com parcos recursos. Apesar de ter vivido no que hoje é uma grande metrópole, em meados do século passado ainda era uma cidade provinciana.

Lembro-me muito bem com que tranquilidade jogávamos pela janela do carro o lixo que hoje guardamos para jogar no lugar apropriado. Ainda carregávamos em nós a lembrança atávica de que o lixo dispensado seria adubo na terra e serviria para alimentar animais ou novas plantas. Demoramos a perceber que o calçamento, a princípio de paralelepípedos e posteriormente de asfalto, não teria esse benefício, muito menos se considerarmos que o papel, que era a embalagem natural, transformou-se em plástico, e esse é praticamente eterno. Nós, pelo menos, não o veremos se decompor em nossos anos de vida.

Pois bem, o rapaz se transformou num senhor bem idoso e esteve aqui há pouco, daí lembrar-me de lhes contar um de seus muitos “causos”.

Era, como muitos de sua família, um pescador fanático, tanto é que chegou a se mudar para Piracicaba, uma cidade do interior paulista onde passa um rio homônimo muito piscoso naquela época, onde ainda se jogava lixo nas ruas e nos rios, somente para poder pescar todos os dias. Bem, muitos dos rios pereceram e esse em particular não dá mais peixe, graças às usinas de açúcar que proliferaram ao seu redor.

Os dourados, que eram peixes mais desejados, por serem aguerridos e não se entregarem facilmente, eram muito abundantes. Quem leu meu último livro, Naquela tarde nada deu certo, deve saber que aquela história que deu nome ao livro se deu exatamente nesse mesmo rio.

Pois bem, o tal rapaz, não satisfeito com a pescaria no rio à beira de sua casa, resolveu se aventurar nas terras ainda selvagens de nosso Brasil. E lá se foi ele para o pantanal. Somente com sua varinha de pesca, um amigo e uma faca, resolveu, como todo jovem, que era indestrutível.

De fato, a tarde tinha sido maravilhosa. Debaixo de um sol abrasador e temperaturas muito altas, passaram horas, ele e seu amigo, na labuta de tirar aqueles monstros do rio.

Hoje, ele já aprendeu com muita relutância, com seu sobrinho, que deve devolver ao rio os espécimes que não vai aproveitar como alimento; mas na época, o bonito era matar a maior quantidade possível de peixes, tirar uma foto e deixar o resto apodrecer na terra.

Pois bem, exaustos, felizes e muito tranquilos, deitaram-se ao relento para passar a noite ao lado de uma fogueirinha que rapidamente se extinguiu. Em um galhinho arrancado ali mesmo do lado penduraram o produto da pescaria. Havia ali uma meia dúzia, assim ele contou, mas… é pescador…

Continuando, os peixes fresquinhos ali permaneceriam até a manhã seguinte.

Logo, o ronco alto do companheiro foi se dissolvendo no nevoeiro do sono do jovem. Os primeiros raios de sol castigaram suas pálpebras e ele acordou. A fogueirinha havia muito tinha se esvanecido em cinzas. Ainda sentado para apreciar o nascer do sol, observou algo que imediatamente fez com que seus intestinos entrassem em revolta. O medo o fez pular e chamar o pescador adormecido.

Aos berros, dizia: “Olha só o tamanho do bicho. Vamos embora agora”.

Deu-se conta de que os peixes haviam sumido atrás das pegadas de um jacaré gigante. Mas, novamente, devo lembrar que ele é pescador.

 

“Segurança II” ou “Gotham City”

chavesAgora é oficial. São Paulo virou Gotham City. Estamos à mercê da bandidagem.

Os meliantes, ante a impunidade e graças à justiça frouxa, estão muito à vontade para praticar seus atos ilícitos a qualquer hora do dia ou da noite.

Invadem verdadeiras fortalezas — contando com a falta de precaução dos cidadãos de bem, que não podem viver suas vidas temendo a cada instante sofrer ameaças ao seu patrimônio ou mesmo à sua pessoa —, roubam e aterrorizam a todos na cidade.

Cada um que acenda velas para seus anjos da guarda, pois ficou absolutamente inviável contar com a polícia, que às vezes demora até quarenta minutos para chegar ao local do crime, sem trânsito.

Como camaleões do mal, vão se transformando e adotando novas práticas de crime. Sua crueldade hoje pode ser vista ao vivo e em cores por câmeras de segurança e por celulares inteligentes.

A nós nos resta tentar nos proteger nos unindo e formando grupos comunitários, trocando informações entre vizinhos e funcionários. Creio que está em nós tomar medidas de proteção, escolhendo melhor em quem votar, pois tem prefeito muito interessado em pintar a cidade na cor de sua preferência, instalar radares em todas as esquinas, mas educar nossos jovens, dar creches, hospitais etc., que seria o devido uso das arrecadações estratosféricas, isso ele não faz.

Temos que dar apoio à polícia, valorizando seu trabalho árduo e perigoso — claro que dentro de todos os grupos há exceções —, cobrando e participando de eventos públicos na defesa de nossos interesses. E estender nosso olhar para o futuro.

Ninguém está a salvo de violência. Ainda ontem vi um filme de uma moça que durante duas horas caminhou pelas ruas de uma capital e foi assediada, felizmente somente com palavras, pois acontece de outros mais atrevidos invadirem sua privacidade tocando o corpo das mulheres que abordam: inúmeros homens se acham no direito de dirigir palavras a quem está caminhando de cabeça baixa, sem lhes dar atenção. E isso não acontece somente nos dias de hoje, quem da minha geração não foi tocada nos ônibus coletivos abarrotados?

Mulheres, ensinem a seus filhos que não gostamos disso.

Homens, esperem um sinal de aprovação para se dirigir às mulheres.

Quando nossos grupos estiverem bem formados, poderemos alçar voos mais altos, exigindo dos políticos leis que nos protejam e da justiça que as leis sejam cumpridas.

Termino este quase desabafo pessoal citando novamente o Chaves, não o Hugo, que não tem nada para ser citado, mas o comediante:

“E agora? Quem virá nos salvar?” Batman, talvez?