“Segurança II” ou “Gotham City”

chavesAgora é oficial. São Paulo virou Gotham City. Estamos à mercê da bandidagem.

Os meliantes, ante a impunidade e graças à justiça frouxa, estão muito à vontade para praticar seus atos ilícitos a qualquer hora do dia ou da noite.

Invadem verdadeiras fortalezas — contando com a falta de precaução dos cidadãos de bem, que não podem viver suas vidas temendo a cada instante sofrer ameaças ao seu patrimônio ou mesmo à sua pessoa —, roubam e aterrorizam a todos na cidade.

Cada um que acenda velas para seus anjos da guarda, pois ficou absolutamente inviável contar com a polícia, que às vezes demora até quarenta minutos para chegar ao local do crime, sem trânsito.

Como camaleões do mal, vão se transformando e adotando novas práticas de crime. Sua crueldade hoje pode ser vista ao vivo e em cores por câmeras de segurança e por celulares inteligentes.

A nós nos resta tentar nos proteger nos unindo e formando grupos comunitários, trocando informações entre vizinhos e funcionários. Creio que está em nós tomar medidas de proteção, escolhendo melhor em quem votar, pois tem prefeito muito interessado em pintar a cidade na cor de sua preferência, instalar radares em todas as esquinas, mas educar nossos jovens, dar creches, hospitais etc., que seria o devido uso das arrecadações estratosféricas, isso ele não faz.

Temos que dar apoio à polícia, valorizando seu trabalho árduo e perigoso — claro que dentro de todos os grupos há exceções —, cobrando e participando de eventos públicos na defesa de nossos interesses. E estender nosso olhar para o futuro.

Ninguém está a salvo de violência. Ainda ontem vi um filme de uma moça que durante duas horas caminhou pelas ruas de uma capital e foi assediada, felizmente somente com palavras, pois acontece de outros mais atrevidos invadirem sua privacidade tocando o corpo das mulheres que abordam: inúmeros homens se acham no direito de dirigir palavras a quem está caminhando de cabeça baixa, sem lhes dar atenção. E isso não acontece somente nos dias de hoje, quem da minha geração não foi tocada nos ônibus coletivos abarrotados?

Mulheres, ensinem a seus filhos que não gostamos disso.

Homens, esperem um sinal de aprovação para se dirigir às mulheres.

Quando nossos grupos estiverem bem formados, poderemos alçar voos mais altos, exigindo dos políticos leis que nos protejam e da justiça que as leis sejam cumpridas.

Termino este quase desabafo pessoal citando novamente o Chaves, não o Hugo, que não tem nada para ser citado, mas o comediante:

“E agora? Quem virá nos salvar?” Batman, talvez?

Jogo de cintura

painelInflexível? Eu?

Não!

Vivo num pais que nos obriga a ter um jogo de cintura digno das passistas mais malemolentes das escolas de samba.

Vivi a era Sarney, de inflação estratosférica, que nos obrigava a gerenciar uma renda que minguava dia a dia.

Vivi a era Collor, que nos confiscou tudo o que tínhamos, menos nossas dívidas e obrigações.

Vivi a era Itamar e FHC, que começou a nos tirar do túnel sem luz que frequentávamos, vivi também a era de fartura para a “zelite”, que nos proporcionou um momento para tomar um fôlego.

Apesar de tudo isso, com muito trabalho e esforço consegui fazer um pé-de-meia significativo com meu pequeno negócio, considerando que o lar era minha prioridade total.

Trabalhei como empresária nesse país de loucos gerenciando o casamento e a família. Estou casada há mais de quatro décadas e isso exige muito jogo de cintura para que tudo esteja em harmonia.

Minha sogra foi uma pessoa extremamente difícil e nunca fiquei um dia sequer de mal com ela. Administrava tudo por amor de seu filho.

E agora vêm me dizer que sou inflexível!!

Todos os meus funcionários trabalharam por muitos anos comigo e são até hoje meus amigos, e isso também eu soube gerenciar, pois soube ser flexível quando necessário. Mas realmente não suporto, e minha tolerância é zero com desonestidade, corrupção, falsidade, falta de caráter. Não contem com minha complacência.

Assistir aos noticiários tornou-se verdadeiro suplício. Parece que a cornucópia de ladroagem é infinda. Jorram aos borbotões denúncias de todos os lados.

Infelizmente, vejo que poucos me acompanham e são muito lenientes com o mal-feito. A impunidade campeia no pais e nos pequenos círculos, graças à grande tolerância que hoje existe entre nós.

Escuto a toda hora máximas como “política  é assim mesmo” e não concordo. A má política é assim mesmo, pois teoricamente deveria ser diferente.

De mim não esperem perdão, pois só pode ser perdoado quem errou inconscientemente. Traição não merece perdão.

Meu aperto de mão jamais terão, nem sequer um simples aceno de cabeça. Pessoas com esse perfil devem, no mínimo, ser postas à margem da sociedade, e toda vez que houver provas devem sofrer as consequências.

Imagino os predicados que me imputam, pois bem conheço o que dizem das mulheres de personalidade forte. Não me importo, pois vilipêndios e xingamentos de pessoas com reputação destroçada só me dignificam.

Sou diferente da dama que hoje preside o pais. Ela diz que dobra mas não quebra. Eu sou o oposto.

Missão: impossível

Outro pioneiro do cinema brasileiro, Carlos Niemeyer
Outro pioneiro do cinema brasileiro, Carlos Niemeyer

Dentre as artes, a que mais tem evoluído é, disparado, o cinema.

A tecnologia contribuiu enormemente para tal; entretanto, com certeza, o ponto alto na produção de filmes fica por conta da imaginação, da criatividade.

Na era digital, sofisticada como está, tudo é possível. Contudo, as interpretações e o carisma de grandes atores é o que no fim acabam se tornando o diferencial.

Fui assistir a mais um daqueles filmes que tanto agradam aos maridos, namorados, namoridos e que tais: cenas de explosões, perseguições de automóveis, motos, tiroteio e muito soco e bofetão impressionam, por serem espetaculares e, ao mesmo tempo, parecerem factíveis, mas o protagonista acaba sendo a principal atração devido à atuação. A mocinha, com sua aparência tão frágil, consegue acabar com os malvadões mais fortes com meia dúzia de golpes bem aplicados e ainda sair em desabalada carreira, para logo em seguida mostrar sua beleza descansada.

Impossível?

Tudo é impossível, até que alguém vai lá e faz.

Impossível? E daí? É tudo isso que traz a graça. Aquele mergulho no abismo? Impossível, mas o galã consegue, claro que sofrendo muito, mas isso é que cativa ainda mais. Atingir o impossível é muitas vezes somente questão de determinação.

Aproveito essa oportunidade para homenagear meu avô, Francisco Campos, que foi pioneiro do cinema no Brasil com sua pequena Campos Filmes.

No começo do século passado, era missão impossível levar equipamentos enormes e pesadíssimos aos campos de futebol, filmar o jogo, correr de volta ao laboratório e processar todo aquele perigoso material — pois era altamente inflamável — e passar o documentário esportivo antes da sessão de cinema à noite.

Para tanto, montou um carro tipo perua, com possibilidade de receber as câmeras na capota. Tudo era muito rudimentar, mas foi o ponto de partida para o que é hoje o cinema brasileiro.

O incêndio que ocorreu em seu laboratório não impediu que, juntamente com seus empregados, ele combatesse o fogo para salvar o material que havia conseguido importar com muito sacrifício. Não foi grande o tempo que levou para montar tudo outra vez, e melhor ainda. Como sequela, ficou com uma paralisia facial.

A biografia de Charles Chaplin também me ajudou a entender um pouquinho o que foram os primórdios da indústria cinematográfica. Gênio, é o que foi. São pessoas que têm um sonho na cabeça, e o colocam acima de tudo para atingir o impossível e trazer a evolução.

Portanto, em nome de todos os aficionados por filmes, faço um agradecimento póstumo: Obrigada, Vô Francisco!

Segurança??

segurançaO tema era pra ser “Dia dos Pais”, mas percebi que um fato ocorrido aqui em casa gerou mais interesse, portanto, vamos satisfazer o freguês.

É impressionante como o nosso povo é criativo. Na verdade, tem que ser mesmo. É a lei da sobrevivência, mas fico conjeturando se não seria melhor aproveitar bem esse dom.

O pessoal é de uma inteligência rara, para imaginar safadezas. Está sempre inovando. A nova onda agora na marginália de São Paulo é se fantasiar de segurança para assaltar as casas do Morumbi, quem nos afiançou foi o próprio delegado do pedaço.

O elemento se veste de traje social, na maior estica em seu terno azul-marinho ou preto, camisa branca e gravata, e pra completar a fantasia coloca um fiozinho no ouvido à guisa de rádio.

Foi assim que um desses meliantes conseguiu se imiscuir dentro de minha casa.

Nem vou comentar a cena de pugilato ocorrida para não gerar polêmica, mas o intuito deste texto é alertar contra esses demônios nossa sofrida população, que é extorquida pelo governo todos os dias pagando impostos ou contas das estatais.

Agora, nós que vivíamos pacatamente em nosso tranquilo lar vamos instalar sistema de câmeras, sistema de alarme, cães de guarda, segurança armada, carro blindado e prestar ainda mais atenção na entrada e saída de casa.

Não vou me esconder, nem viver minha vida com medo. Não sou assim. Acredito no destino. Acredito também que a gente atrai tudo o que não sai de nossa cabeça, seja para o bem ou seja para o mal.

Em nossa vida podemos perder tudo, menos a dignidade. É o que penso e repito para os meus entes queridos.

Me perguntam: levaram algo? Respondo: nada de valor, pois nossos valores ninguém rouba de nós.

Sempre houve parte da população que acha mais fácil tirar de quem trabalhou para ter seu sustento; entretanto, ultimamente, vejo a cada dia mais bandidos sendo presos por roubar saúde, escolas e infraestrutura dos cidadãos de bem.

Conosco já ocorreram vários episódios semelhantes, e aqui estamos nós.

A população da cidade aumentou, e com ela os meliantes. Mas nosso anjo da guarda tem asas enormes, e sempre nos safamos de tudo. Até agora.

Aceito tudo isso com tranquilidade, pois sou desapegada. Muito mais difícil é aceitar a infâmia, o roubo de nossa credulidade, o estelionato de nossa amizade.

Estamos em guerra e temos que nos defender, portanto, se você não é bandido, não deixe de compartilhar com todos os seus contatos esta crônica-alerta.

#100

BIOCAPANem percebi. Esta é minha centésima crônica que será publicada no centésimo Singles, o minilivro semanal da minha editora KBR, que é lançado na mega Amazon.

Isso implica que todas as semanas meu nome como autora aparece lançando um livro. Significa também que meu nome está sempre como um dos que mais livros vendeu na semana. Econômica e financeiramente, não significa nada, pois se eu fosse viver de literatura no Brasil, não precisaria estar sempre controlando o peso, pois iria passar fome.

O número em si é significativo, pois denota sempre algo grande. Por exemplo: “Esta é a centésima vez que digo pra você não fazer xixi no sofá”, determina a dona do cachorro que a contempla com aqueles olhos de cachorro olhando o dono quando faz arte; ou “Quer apostar R$100,00 que você não consegue”? (realmente, a pessoa deve estar muito confiante no fracasso da missão, caso contrário não estaria arriscando quantia tão significativa); ou ainda “Foram pagos US$100.000.000 em propinas para membros do governo”, o que já não nos impressiona mais, dado o aspecto corriqueiro do assunto.

Para evitar um número tão grande, os donos de comércio adotam a prática de marketing para enganar o consumidor: “Calcinha da marca (pense em uma marca importante) por apenas R$99,90”. Claro que eles nunca têm troco, portanto fica por R$100 mesmo.

Em contrapartida, quando você sobe na balança depois de passar a semana inteirinha a pão de vento e água light e vê que perdeu 100g, quer cortar os pulsos de frustração.

Como sabiamente dizia a minha avó: “O que dá pra rir, dá pra chorar”.

Agora, para fazer bonito, terei que escrever pelo menos mais 900 crônicas, pois o que vai significar, por exemplo, 134, depois de já ter escrito 100?

Sinto-me muito orgulhosa por ter alcançado este feito. Agradeço à minha editora por ter confiado em mim e ter me convidado a escrever todas as semanas. Caso contrário, teria, provavelmente, escrito somente um livro em toda a minha vida. Hoje, já tenho dois publicados, fora os 100 “Singles”.

Pra quem gosta de crônicas é uma ótima oportunidade, pois fora eu, há mais uns vinte bons escritores publicando coisas muito boas.

Bom fim de semana. Na próxima sexta tem mais.

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Signo: Gêmeas

babyNasceu uma mulher.

Nasceram duas mulheres.

Mãe e filha gêmeas, pois nasceram ao mesmo tempo.

Um aprendizado.

O que uma vai ensinar para a outra?

A mãe vai ensinar a filha a ser uma grande mulher, e a filha vai ensinar a mãe a ser mãe.

Pois então, Mr. Google, quero ver como se sai nessa: como ser uma boa mãe? Aha! Te peguei: não sabe. Ninguém sabe.

Todas as mães querem ser perfeitas, mas nenhuma se acha perfeita. Sempre há algo que poderia ter sido feito e não foi.

Mr. G, sabe como olhar para seu bebê com tanta ternura que até sente que o amor não é mais um sentimento e passa a ser uma sensação física? Não.

Sabe por acaso o que é a aflição de não entender o que aquele choro específico significa? Dor, fome, sono, sede, fralda suja, tédio? Não sabe? Não se preocupe, pois por mais experiente que seja uma mulher, com um renque de filhos, na maioria das vezes o método de descoberta é o de tentativa e erro, pois se a mãe é uma só, os filhos podem ser vários, e cada um é sempre diferente do outro.

As noites insones, que se revelam nas olheiras e que tantas aflições trazem a quem sozinha tenta decifrar o enigma do universo, tendo nos braços aquele pequeno ser que se encolhe e estica revelando desconforto, o desejo intenso de trocar de lugar com ele sem poder, a sensação de impotência: tudo nos joga na cara que a nossa arrogância de pensar que podemos tudo, resolvemos tudo, está para sempre rebaixada.

Não pense o senhor, Mr. G., que não será consultado muitas vezes, mas quer saber? Não terá as respostas mais importantes.

Nessas horas, outras mães sempre acorrem em socorro, querendo ajudar com sua experiência, mas com a consciência de que toda a responsabilidade por aquela vida tão preciosa é, no final das contas, única e exclusivamente da mãe.

Hoje os pais são muito presentes, auxiliando, sim, somente auxiliando as mulheres, pois no final a decisão de tudo que concerne ao filho é delas.

Essas mulheres, mães de bebês, se revelam verdadeiros titãs em sua força, resistência, paciência. O instinto de proteção se revela quando pessoas comuns se aproximam da cria: um desejo intenso de atacar com garras e presas tem de ser controlado com toda a adquirida civilidade, mas não é fácil.

Mas a natureza é sábia. Perfeita. Joga nos corpos dessas mulheres substâncias de amor imediato que faz com que todo o trabalho, cansaço e dor sejam relegados a segundo plano e o foco seja somente seus filhinhos. Um esgar à guisa de sorriso já é suficiente para um dia inteiro de regozijo.

Vocês que acabaram de nascer, sejam muito bem-vindos ao nosso louco e lindo planeta. Coisas maravilhosas os esperam.

Uma parceria de uma vida acaba de ser firmada para toda a eternidade.

Ah! Esse cara!

bolocasamentoAquele entardecer estava gelado.

Depois de passar a tarde inteira com um forno em forma de capacete enterrado em minha cabeça, os cabelos esticados em rolos presos com grampos de aço que esquentavam queimando o couro cabeludo, sair sentindo o vento gelado até que foi uma sensação boa.

Meu primeiro carrinho, comprado em prestações que consumiam quase todo o meu parco salário de estagiária no Instituto de Pesquisas da Faculdade de Economia da USP foi uma visão muito aprazível, pois tomar ônibus àquela hora seria realmente terrível.

A chegada em minha casa foi saudada efusivamente por minhas irmãs e meus pais, mas eu realmente não estava pra tumulto; a cabeça latejava, e calafrios percorriam meu corpo.

“Olhe o que chegou!! Foi presente do meu amigo, abra pra gente ver”, dizia meu pai.

“Agora não, quero me deitar.”

“Só porque vai casar amanhã acha que pode fazer desfeita pro seu pai?”

Foi o que bastou. Uma torrente de lágrimas brotava de meus olhos como naquelas cenas de desenho animado. Mamãe correu para me abraçar, entendendo que as emoções deviam estar a mil em minha cabeça.

“Ela está ardendo em febre.”

E agora? O casamento tão esperado era dali a poucas horas. Como seria?

“Chama o Tarcísio farmacêutico. Avisa que a febre está alta”, mamãe logo tomou a decisão.

Rápido, plano B.

“Telefona pra cabeleireira vir aqui em casa, que ela não vai sair da cama até a hora de ir pra igreja”.

O carro branco me esperava na porta e o trânsito estava ruim por causa da feira de sábado, mas lá ia a noiva. Não era exatamente o que tinha planejado, mas eu iria me casar, doente ou não.

Foi só o padre anunciar que estávamos casados e pedir para o noivo que saísse com a noiva, pois ele via que eu não estava bem, que me virei, reuni todas as forças para chegar até aquela luz que vinha da porta, fazendo o possível para não desmaiar, senão ainda iam falar que eu estava grávida.

Assim foi, há exatos quarenta e um anos.

A imagem do moço bonito no altar me aguardando, pelo qual eu estava irremediavelmente apaixonada, nunca saiu de minha mente. Ainda hoje, quando o vejo inesperadamente, meu coração de menina pula uma batida.

A admiração só fez crescer com o passar do tempo. Parece que ele está melhorando, na contabilidade da vida as perdas são menores que os ganhos.

A comemoração foi muito singela, bem do jeito que a gente gosta: trocas de olhares, piscadelas, toques de mãos mostrando que o amor continua intacto.

O corpo, a não ser por uma encanecida nos cabelos e algumas rugas ao redor dos olhos, permanece o mesmo. O sorriso aberto para poucas ocasiões também mostra a mesma alegria. Para mim, o homem perfeito, meu príncipe encantado com quem vivo feliz para sempre.

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Jesus Cristo x Judas Escariotes

einstein1_7Sem levar em consideração religiões ou crenças, temos todos que considerar Jesus (ou seu mito) um homem bom, que pregou somente o amor, a amizade e a lealdade. Foi atraiçoado pelos motivos de sempre, a saber: inveja e cobiça.

Mais de dois mil anos se passaram, e os homens bons continuam sendo atraiçoados pelos mesmos motivos.

A falta de competência comprovada leva os que não a tem à inveja e ao desejo de que “se eu não posso, também não quero para ninguém”, daí sairem passando rasteiras.

Outro grande motivo da deslealdade e traição é a ganância. Mais uma vez, aquele que não tem competência para amealhar riquezas por méritos próprios cria suas próprias desculpas, geralmente do tipo “não estou tirando de ninguém, são pessoas alheias ao meu meio que estão me subornando” e aceitam as propinas, mitigando suas consciências.

Vemos isso hoje em dia corriqueiramente. Parece que já perdemos a capacidade de nos indignar, e ao ler as manchetes nos jornais já não ficamos chocados com a quantidade de malfeitos, negados à exaustão pelos que as perpetraram.

Pensam eles que estão logrando alguém? Talvez os mais ingênuos, pois a maioria sabe de tudo e se faz de morta, mas o boca a boca leva aos sete ventos as desonestidades. Nos dias de hoje, com as possibilidades de comunicação, a notícia corre mais do que fogo em capim seco.

Repetem e repetem que não têm conhecimento de nada. Moluscos, postes e outros bichos parecem disco riscado; todavia, a cada dia, o povo vai descobrindo mais e mais a verdade.

Com tanta gente indo pra cadeia, até os da “zelite”, é muito bom colocar as barbas de molho. Sempre tem alguém disposto a delatar.

Aos outros, resta tão somente expurgar os bandidos de seu convívio. Eu, pessoalmente, já estou adotando a prática de não mais me comunicar com quem sei ser leniente com os malfeitos. Minha vida ficou mais leve. Ando mais feliz.

Joaquins Silverios e Judas Escariotes encontraram tristes fins, mas hoje em dia parece estar faltando corda.

Uma morte virtual já seria muito bom. Sugiro aos que ainda julgam ter um restinho de dignidade que se recolham à sua vergonha, sob pena de ficarem ainda mais visíveis.

Vamos lá minha gente, nada de ter dó de quem não merece. Nada de jeitinho brasileiro.

Não é fazendo tudo da mesma maneira que obteremos resultados diferentes, como já enfatizou Albert Einstein.

O que teria naquele pacote?

livrospriscla— Chegou uma caixa para a senhora.

— Pra mim? O que é?

— Não sei não senhora?

Era uma caixa relativamente grande, de papelão. O que poderia ser?

Sou muito distraída mesmo, mas esquecer essa encomenda foi demais.

Abri cuidadosamente com uma faca, e lá estavam: milhares dos meus pensamentos. Tantas dores, tantos amores, tantas alegrias e desilusões. Tudo ali dentro daquela caixa de uns setenta centímetros de largura por quarenta de comprimento e uns trinta de altura.

Escrever não costuma ser difícil para mim. Os pensamentos fluem com naturalidade, uma bênção. Mas vê-los ali expressos na embalagem em livros de mais de trezentas folhas, foi emocionante.

Fico imaginando todos os amigos e parentes com os exemplares em suas mãos, decifrando cada frase e seu significado.

A intenção é sempre de entreter meu leitor. Claro que cada um deles tem seu gosto particular, mas quando me perguntam sobre que temas escrevo, sempre respondo que “depende do dia”.

Nos tempos que correm, a escrita tomou um ritmo vertiginoso. Tentar digitar durante o tempo do farol vermelho nos obrigou a inventar abreviações e utilizar palavras curtas, sempre. Tão diferente do que estou fazendo agora.

Enquanto escrevia essa crônica, até agora, já tilintou minha maquininha de comunicação dezenas de vezes, com tanta gente postando informações, agendamentos, dezenas de kkkkkkks. Por falar nisso, gente, não é necessário sempre responder a qualquer comentário nas mensagens. Ninguém vai se sentir ofendido nem vai ficar esperando, eu, pelo menos, não vou.

Assunto “livros” resolvido, convites enviados, agora só faltam muitos outros itens a serem ticados: comida, bebida, decoração, limpeza do local, transporte para o mobiliário.

Eu me pergunto: Por que eu invento?

Eu mesma me respondo: Porque é muito legal… Reunir amigos em torno de vários temas, em comemorações de tudo. Não resisto a uma festinha.

Tenho folheado meu novo livro aleatoriamente e escolho uma história a esmo. Até parece um diário. Lembro-me do dia em que a escrevi e o que estava sentindo na hora.

Daqui a alguns anos, estarei provavelmente lendo esta historia e me lembrando da preparação do evento do lançamento de meu segundo livro, este de crônicas.

Foi um bom dia. Muitos esportes de manhã e um porre no telefone com a operadora das máquinas de cartão de crédito. Lembra disso, Priscila?

Será que outro livro será lançado no futuro com novas crônicas? Espero que sim, pois tudo isso é muito divertido.

Ei você: nos vemos na quinta!

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