#100

BIOCAPANem percebi. Esta é minha centésima crônica que será publicada no centésimo Singles, o minilivro semanal da minha editora KBR, que é lançado na mega Amazon.

Isso implica que todas as semanas meu nome como autora aparece lançando um livro. Significa também que meu nome está sempre como um dos que mais livros vendeu na semana. Econômica e financeiramente, não significa nada, pois se eu fosse viver de literatura no Brasil, não precisaria estar sempre controlando o peso, pois iria passar fome.

O número em si é significativo, pois denota sempre algo grande. Por exemplo: “Esta é a centésima vez que digo pra você não fazer xixi no sofá”, determina a dona do cachorro que a contempla com aqueles olhos de cachorro olhando o dono quando faz arte; ou “Quer apostar R$100,00 que você não consegue”? (realmente, a pessoa deve estar muito confiante no fracasso da missão, caso contrário não estaria arriscando quantia tão significativa); ou ainda “Foram pagos US$100.000.000 em propinas para membros do governo”, o que já não nos impressiona mais, dado o aspecto corriqueiro do assunto.

Para evitar um número tão grande, os donos de comércio adotam a prática de marketing para enganar o consumidor: “Calcinha da marca (pense em uma marca importante) por apenas R$99,90”. Claro que eles nunca têm troco, portanto fica por R$100 mesmo.

Em contrapartida, quando você sobe na balança depois de passar a semana inteirinha a pão de vento e água light e vê que perdeu 100g, quer cortar os pulsos de frustração.

Como sabiamente dizia a minha avó: “O que dá pra rir, dá pra chorar”.

Agora, para fazer bonito, terei que escrever pelo menos mais 900 crônicas, pois o que vai significar, por exemplo, 134, depois de já ter escrito 100?

Sinto-me muito orgulhosa por ter alcançado este feito. Agradeço à minha editora por ter confiado em mim e ter me convidado a escrever todas as semanas. Caso contrário, teria, provavelmente, escrito somente um livro em toda a minha vida. Hoje, já tenho dois publicados, fora os 100 “Singles”.

Pra quem gosta de crônicas é uma ótima oportunidade, pois fora eu, há mais uns vinte bons escritores publicando coisas muito boas.

Bom fim de semana. Na próxima sexta tem mais.

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Signo: Gêmeas

babyNasceu uma mulher.

Nasceram duas mulheres.

Mãe e filha gêmeas, pois nasceram ao mesmo tempo.

Um aprendizado.

O que uma vai ensinar para a outra?

A mãe vai ensinar a filha a ser uma grande mulher, e a filha vai ensinar a mãe a ser mãe.

Pois então, Mr. Google, quero ver como se sai nessa: como ser uma boa mãe? Aha! Te peguei: não sabe. Ninguém sabe.

Todas as mães querem ser perfeitas, mas nenhuma se acha perfeita. Sempre há algo que poderia ter sido feito e não foi.

Mr. G, sabe como olhar para seu bebê com tanta ternura que até sente que o amor não é mais um sentimento e passa a ser uma sensação física? Não.

Sabe por acaso o que é a aflição de não entender o que aquele choro específico significa? Dor, fome, sono, sede, fralda suja, tédio? Não sabe? Não se preocupe, pois por mais experiente que seja uma mulher, com um renque de filhos, na maioria das vezes o método de descoberta é o de tentativa e erro, pois se a mãe é uma só, os filhos podem ser vários, e cada um é sempre diferente do outro.

As noites insones, que se revelam nas olheiras e que tantas aflições trazem a quem sozinha tenta decifrar o enigma do universo, tendo nos braços aquele pequeno ser que se encolhe e estica revelando desconforto, o desejo intenso de trocar de lugar com ele sem poder, a sensação de impotência: tudo nos joga na cara que a nossa arrogância de pensar que podemos tudo, resolvemos tudo, está para sempre rebaixada.

Não pense o senhor, Mr. G., que não será consultado muitas vezes, mas quer saber? Não terá as respostas mais importantes.

Nessas horas, outras mães sempre acorrem em socorro, querendo ajudar com sua experiência, mas com a consciência de que toda a responsabilidade por aquela vida tão preciosa é, no final das contas, única e exclusivamente da mãe.

Hoje os pais são muito presentes, auxiliando, sim, somente auxiliando as mulheres, pois no final a decisão de tudo que concerne ao filho é delas.

Essas mulheres, mães de bebês, se revelam verdadeiros titãs em sua força, resistência, paciência. O instinto de proteção se revela quando pessoas comuns se aproximam da cria: um desejo intenso de atacar com garras e presas tem de ser controlado com toda a adquirida civilidade, mas não é fácil.

Mas a natureza é sábia. Perfeita. Joga nos corpos dessas mulheres substâncias de amor imediato que faz com que todo o trabalho, cansaço e dor sejam relegados a segundo plano e o foco seja somente seus filhinhos. Um esgar à guisa de sorriso já é suficiente para um dia inteiro de regozijo.

Vocês que acabaram de nascer, sejam muito bem-vindos ao nosso louco e lindo planeta. Coisas maravilhosas os esperam.

Uma parceria de uma vida acaba de ser firmada para toda a eternidade.

Ah! Esse cara!

bolocasamentoAquele entardecer estava gelado.

Depois de passar a tarde inteira com um forno em forma de capacete enterrado em minha cabeça, os cabelos esticados em rolos presos com grampos de aço que esquentavam queimando o couro cabeludo, sair sentindo o vento gelado até que foi uma sensação boa.

Meu primeiro carrinho, comprado em prestações que consumiam quase todo o meu parco salário de estagiária no Instituto de Pesquisas da Faculdade de Economia da USP foi uma visão muito aprazível, pois tomar ônibus àquela hora seria realmente terrível.

A chegada em minha casa foi saudada efusivamente por minhas irmãs e meus pais, mas eu realmente não estava pra tumulto; a cabeça latejava, e calafrios percorriam meu corpo.

“Olhe o que chegou!! Foi presente do meu amigo, abra pra gente ver”, dizia meu pai.

“Agora não, quero me deitar.”

“Só porque vai casar amanhã acha que pode fazer desfeita pro seu pai?”

Foi o que bastou. Uma torrente de lágrimas brotava de meus olhos como naquelas cenas de desenho animado. Mamãe correu para me abraçar, entendendo que as emoções deviam estar a mil em minha cabeça.

“Ela está ardendo em febre.”

E agora? O casamento tão esperado era dali a poucas horas. Como seria?

“Chama o Tarcísio farmacêutico. Avisa que a febre está alta”, mamãe logo tomou a decisão.

Rápido, plano B.

“Telefona pra cabeleireira vir aqui em casa, que ela não vai sair da cama até a hora de ir pra igreja”.

O carro branco me esperava na porta e o trânsito estava ruim por causa da feira de sábado, mas lá ia a noiva. Não era exatamente o que tinha planejado, mas eu iria me casar, doente ou não.

Foi só o padre anunciar que estávamos casados e pedir para o noivo que saísse com a noiva, pois ele via que eu não estava bem, que me virei, reuni todas as forças para chegar até aquela luz que vinha da porta, fazendo o possível para não desmaiar, senão ainda iam falar que eu estava grávida.

Assim foi, há exatos quarenta e um anos.

A imagem do moço bonito no altar me aguardando, pelo qual eu estava irremediavelmente apaixonada, nunca saiu de minha mente. Ainda hoje, quando o vejo inesperadamente, meu coração de menina pula uma batida.

A admiração só fez crescer com o passar do tempo. Parece que ele está melhorando, na contabilidade da vida as perdas são menores que os ganhos.

A comemoração foi muito singela, bem do jeito que a gente gosta: trocas de olhares, piscadelas, toques de mãos mostrando que o amor continua intacto.

O corpo, a não ser por uma encanecida nos cabelos e algumas rugas ao redor dos olhos, permanece o mesmo. O sorriso aberto para poucas ocasiões também mostra a mesma alegria. Para mim, o homem perfeito, meu príncipe encantado com quem vivo feliz para sempre.

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Jesus Cristo x Judas Escariotes

einstein1_7Sem levar em consideração religiões ou crenças, temos todos que considerar Jesus (ou seu mito) um homem bom, que pregou somente o amor, a amizade e a lealdade. Foi atraiçoado pelos motivos de sempre, a saber: inveja e cobiça.

Mais de dois mil anos se passaram, e os homens bons continuam sendo atraiçoados pelos mesmos motivos.

A falta de competência comprovada leva os que não a tem à inveja e ao desejo de que “se eu não posso, também não quero para ninguém”, daí sairem passando rasteiras.

Outro grande motivo da deslealdade e traição é a ganância. Mais uma vez, aquele que não tem competência para amealhar riquezas por méritos próprios cria suas próprias desculpas, geralmente do tipo “não estou tirando de ninguém, são pessoas alheias ao meu meio que estão me subornando” e aceitam as propinas, mitigando suas consciências.

Vemos isso hoje em dia corriqueiramente. Parece que já perdemos a capacidade de nos indignar, e ao ler as manchetes nos jornais já não ficamos chocados com a quantidade de malfeitos, negados à exaustão pelos que as perpetraram.

Pensam eles que estão logrando alguém? Talvez os mais ingênuos, pois a maioria sabe de tudo e se faz de morta, mas o boca a boca leva aos sete ventos as desonestidades. Nos dias de hoje, com as possibilidades de comunicação, a notícia corre mais do que fogo em capim seco.

Repetem e repetem que não têm conhecimento de nada. Moluscos, postes e outros bichos parecem disco riscado; todavia, a cada dia, o povo vai descobrindo mais e mais a verdade.

Com tanta gente indo pra cadeia, até os da “zelite”, é muito bom colocar as barbas de molho. Sempre tem alguém disposto a delatar.

Aos outros, resta tão somente expurgar os bandidos de seu convívio. Eu, pessoalmente, já estou adotando a prática de não mais me comunicar com quem sei ser leniente com os malfeitos. Minha vida ficou mais leve. Ando mais feliz.

Joaquins Silverios e Judas Escariotes encontraram tristes fins, mas hoje em dia parece estar faltando corda.

Uma morte virtual já seria muito bom. Sugiro aos que ainda julgam ter um restinho de dignidade que se recolham à sua vergonha, sob pena de ficarem ainda mais visíveis.

Vamos lá minha gente, nada de ter dó de quem não merece. Nada de jeitinho brasileiro.

Não é fazendo tudo da mesma maneira que obteremos resultados diferentes, como já enfatizou Albert Einstein.

O que teria naquele pacote?

livrospriscla— Chegou uma caixa para a senhora.

— Pra mim? O que é?

— Não sei não senhora?

Era uma caixa relativamente grande, de papelão. O que poderia ser?

Sou muito distraída mesmo, mas esquecer essa encomenda foi demais.

Abri cuidadosamente com uma faca, e lá estavam: milhares dos meus pensamentos. Tantas dores, tantos amores, tantas alegrias e desilusões. Tudo ali dentro daquela caixa de uns setenta centímetros de largura por quarenta de comprimento e uns trinta de altura.

Escrever não costuma ser difícil para mim. Os pensamentos fluem com naturalidade, uma bênção. Mas vê-los ali expressos na embalagem em livros de mais de trezentas folhas, foi emocionante.

Fico imaginando todos os amigos e parentes com os exemplares em suas mãos, decifrando cada frase e seu significado.

A intenção é sempre de entreter meu leitor. Claro que cada um deles tem seu gosto particular, mas quando me perguntam sobre que temas escrevo, sempre respondo que “depende do dia”.

Nos tempos que correm, a escrita tomou um ritmo vertiginoso. Tentar digitar durante o tempo do farol vermelho nos obrigou a inventar abreviações e utilizar palavras curtas, sempre. Tão diferente do que estou fazendo agora.

Enquanto escrevia essa crônica, até agora, já tilintou minha maquininha de comunicação dezenas de vezes, com tanta gente postando informações, agendamentos, dezenas de kkkkkkks. Por falar nisso, gente, não é necessário sempre responder a qualquer comentário nas mensagens. Ninguém vai se sentir ofendido nem vai ficar esperando, eu, pelo menos, não vou.

Assunto “livros” resolvido, convites enviados, agora só faltam muitos outros itens a serem ticados: comida, bebida, decoração, limpeza do local, transporte para o mobiliário.

Eu me pergunto: Por que eu invento?

Eu mesma me respondo: Porque é muito legal… Reunir amigos em torno de vários temas, em comemorações de tudo. Não resisto a uma festinha.

Tenho folheado meu novo livro aleatoriamente e escolho uma história a esmo. Até parece um diário. Lembro-me do dia em que a escrevi e o que estava sentindo na hora.

Daqui a alguns anos, estarei provavelmente lendo esta historia e me lembrando da preparação do evento do lançamento de meu segundo livro, este de crônicas.

Foi um bom dia. Muitos esportes de manhã e um porre no telefone com a operadora das máquinas de cartão de crédito. Lembra disso, Priscila?

Será que outro livro será lançado no futuro com novas crônicas? Espero que sim, pois tudo isso é muito divertido.

Ei você: nos vemos na quinta!

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Inspiração

A versão ebook do novo livro de crônicas já está em pré-venda na Amazon: http://www.amazon.com.br/dp/B00YB0LFJU
A versão ebook do novo livro de crônicas já está em pré-venda na Amazon: http://www.amazon.com.br/dp/B00YB0LFJU

Meu próximo livro será lançado no mês que vem, e quando comento isso com alguns amigos muitas vezes sou questionada sobre como escrever um livro.

O que me inspira?

Bem, no meu caso, que sou nova nessa seara, tendo escrito somente um romance e agora uma compilação de crônicas que são escritas semanalmente, não me julgo muito competente para esclarecer. Posso somente dizer que no meu caso cada dia é um dia.

Quanto ao romance, devo dizer que foi algo absolutamente inesperado para mim, que nunca havia escrito absolutamente nada em bases literárias. Parece que aconteceu. Fui fazendo algumas anotações sobre um lugar encantado que conheci e não queria me esquecer de nada. A coisa foi se avolumando, e notei que tinha material suficiente para, juntamente com uma imaginação fértil, criar um livro, a princípio somente para mim. Fui apoiada por meus familiares para tentar editar. Uma grande editora o aceitou por dois motivos: porque o livro era bom e porque eu bancaria a edição. Desconfio que a segunda razão pesou muito mais.

Quanto às crônicas, às vezes amanheço com uma ideia já definida, em muitos outros não tenho ideia sobre o que vou falar e saio à cata de assuntos interessantes no jornal, em revistas ou mesmo nas redes sociais. Deixo tudo para o último minuto. A adrenalina ajuda.

Os temas são os mais variados possíveis, dependendo muito dos acontecimentos da semana e do meu humor. Acredito que a grande maioria seja sobre política, e quando é assim, sou ácida, pois infelizmente vivemos tempos bicudos atualmente. Em compensação, quando escrevo sobre família e amigos, especialmente sobre meus netinhos, me enterneço, e confesso que apesar da fama de durona invariavelmente acabo vertendo lágrimas durante a escrita e também todas as vezes que releio.

Os esportes estão também muito presentes em minhas histórias, pois são parte integrante de minha vida e acho lindo assistir os atletas de alto rendimento praticando seus movimentos impensáveis.

Sou sócia de um grande clube, que sempre soube valorizar as atividades esportivas e por muitas vezes contribuiu com o país em olimpíadas e campeonatos mundiais, oferecendo suas instalações e corpo técnico para trazer inúmeras medalhas para o Brasil. Então, muito próximos de mim, passando ao meu lado, estão os heróis que aparecem na televisão e que a gente admira.

Acho que essa vontade de não ficar para trás que o esporte me ensinou foi o que me levou a escrever as crônicas, pois minha editora lançou um desafio para seus autores: escrever uma crônica semanalmente. A princípio, eu, que nem sabia como fazer isso, declinei; depois pensei que não queria ficar pra trás, estudei um pouco e, metida como sou, escrevi a primeira. Gostei, e aqui estou, dedilhando historietas a cada sete dias.

A prática tem me ajudado. A cada vez fica mais fácil, e a escrita cada vez melhor, salvo em alguns dias em que nada dá certo mesmo.

É uma grande alegria receber comentários pessoais ou virtuais, ou mesmo “curtidas” dos leitores. Hoje já são muitos, e de lugares que nem conheço. Aos poucos, vou fazendo novos amigos, como você que acabou de ler esse texto.

Que sorte!

tenisplayerConsidero-me uma felizarda, pois é de minha natureza gostar de praticar esportes. Vejo a enorme dificuldade que muitos conhecidos têm só de pensar em produzir uma gota de suor fazendo força ou se movimentando.

Para mim é motivo de satisfação fazer força, puxar ferro, correr atrás de uma bolinha, e mesmo os esportes com os quais não tenho muita afinidade consigo praticar e quando não o faço regularmente até sinto falta, e aí está incluída a corrida. A única coisa de que realmente não gosto é de água. Natação não é comigo. Aprendi a nadar quando criança e consigo não morrer afogada dentro de uma piscina. Para salvar minha vida acho que consigo dar braçadas suficientes para percorrer, no máximo, um quilômetro.

Os benefícios para a saúde advindos dos exercícios físicos são sobejamente conhecidos, para a mente também, já que a liberação de substâncias que geram felicidade facilita em muito a nossa saúde mental.

As roupas usadas pelos esportistas sempre trazem o benefício extra de diminuir consideravelmente a idade aparente. Flexibilidade e atitude também têm esse poder.

A turma do esporte é sempre muito de bem com a vida e sempre está falando sobre amenidades, do tipo quanto peso, qual velocidade, quantos quilômetros, quantos pontos, qual o resultado. Isso tudo também alivia a mente.

A maioria das pessoas que têm um grupo de amigos no esporte não precisa de tratamentos psicológicos, pois quando se encontram desabafam suas mazelas de bate pronto. Um café enquanto se espera uma quadra ou outro parceiro já é motivo para longas conversas sobre família, negócios e problemas em geral. Aí se percebe que muita gente já passou ou está passando pelo mesmo problema, que no fim sempre tem solução. Nos sentimos amparados.

Outro benefício incrível é a facilidade bem maior para se perder gordura. Ao aumentar a massa magra, o gasto energético é maior, e com isso fica mais fácil se livrar daquela gordura indesejável.

Isso está parecendo anúncio, mas não é. Ultimamente andei perdendo peso e aumentando a musculatura, e os benefícios são incríveis: muito melhor disposição, menos cansaço físico, sem falar nos ganhos em velocidade e força na prática de esportes. Uma coisa leva à outra e por aí vai.

Portanto, coragem, levante-se desse sofá logo após ler este texto e comece a se exercitar.

Estou aproveitando para responder a todas as pessoas que têm me perguntado como consegui esse corpinho de 60 já tendo 64 anos. É, meus amigos, não existe milagre mesmo. É na conta corrente, tem que sair mais do que entra. No meu caso, entrou menos chocolate e muita malhação. No começo foi mais difícil, mas agora está tudo ótimo.

Nos vemos por aí nas quadras.

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Cara de pau

Marcello Mastroianni em "Oito e meio", de Fellini: "Estou de olho".
Marcello Mastroianni em “Oito e meio”, de Fellini: “Estou de olho”.

Para mim, que sou de uma transparência digna de dó, é de muito se admirar a cara de pau de algumas pessoas.

Tenho ouvido ultimamente de pessoas até de boa fé que em política vale tudo. Peço licença para discordar veementemente. Não vale tudo, não. Muito antes vêm os valores morais, a ética, a amizade.

Lembro-me de ter há muitos anos assistido a um filme italiano. Vou descrever a cena.

Anos 1960; a mulher muito elegantemente vestida em seu tailleur rosa com um chapeuzinho de feltro, saltos altos, abre a porta e se depara com uma cena chocante: seu marido está com outra mulher em sua cama. A esposa começa a fazer um escândalo bem aos moldes italianos, enquanto o marido sai da cama sossegadamente, começa a se vestir e pede à amante que faça o mesmo. Nesse ínterim, a esposa já tinha passado dos berros ao choro convulsivo e à lamentação. A rapariga, sem entender muito o silêncio do rapaz, veste-se rapidamente, ao contrário do marido, que parece não ter pressa e, assim que a garota está vestida, pede que ela saia e até a acompanha até a porta.

A esposa continua sua arenga, enquanto o homem dirige-se a uma poltrona, pega um jornal e começa a ler. Depois de um certo tempo, olha a mulher com uma cara de espantado e pergunta: “O que aconteceu? Por que está gritando e chorando?”

Ela recomeça tudo desde o princípio, repete para o rapaz que, parecendo muito confuso, diz que não está entendendo nada.

“De que mulher você está falando? Está passando mal? Bebeu?”

Se fosse nos dias de hoje, perguntaria também: “Fumou? Cheirou?”

A moça nesse instante se cala, e olha atônita para o italiano malandro, que continua sua farsa dizendo que ela anda muito cansada e que ele não tem sido um marido carinhoso, muito ausente, mas que pretende corrigir essa falta. Vai se aproximando dela, entrega-lhe uma taça de vinho, toma sua mão, enxuga suas lágrimas, abraça e beija carinhosamente seus lábios salgados pelas lágrimas, diz que não quer vê-la sofrer etc.

Pois muito bem. Assistimos incrédulos a esse tipo de comportamento ao nosso redor. Algumas pessoas, assim como a ingênua esposinha, caem no canto da sereia dessas pessoas malignas.

Acordem, gente!! Não se deixem enganar por um tapinha nas costas, juras de eterno amor etc. Acreditem no que seus olhos veem.

Temos que tirar essas pessoas de nosso convívio, e de nossa política. Acredito, sim, que um dia poderemos expurgá-las de nossa política e de nossas vidas. As que nos cercam, basta ignorá-las; as que elegemos, basta não cometer o mesmo erro nas próximas eleições.

Hoje em dia, aquela pobre esposa teria muito mais facilidade para descobrir a verdade sobre o seu malandro marido. Hoje todos têm sempre uma câmara à mão. Os corredores e elevadores dos prédios têm câmaras de vigilância. As redes sociais explodem em fofocas, com todo mundo querendo se meter na vida de todos. Portanto, não temos mais desculpas.

A ciranda da vida

roda-da-vidaGosto de assistir a alguns programas americanos, pois esses caras têm uma grande criatividade, para o bem e para o mal.

O que estava assistindo durante minha parada para almoço contava a história de uma senhora, uma dona de casa que não tinha noção de com quem estava casada. Seu marido, um pacato rapaz do interior, nunca havia dado mostras de ser o ser humano quase fera que havia estuprado e matado várias mulheres e crianças.

É impressionante como algumas pessoas conseguem esconder até das pessoas mais íntimas seu verdadeiro caráter.

Outro caso era o do rapaz que havia sido acolhido por um amigo que lhe deu guarida e a família que nunca teve, e juntamente com a mulher de seu anfitrião, que era sustentada pelo marido, cometeu adultério dentro do próprio lar que os acolheu. O marido teve que carregar para sempre a visão terrível do que um dia aconteceu em seu quarto. Pois bem, a aceitação da verdade, a perda das pessoas amadas, a terrível culpa por não ter percebido nada, fez a vida daquelas pobres almas descer ao inferno, mas…

A vida continua em ciranda. Tudo tende a mudar, e o que um dia é só alegria e felicidade transforma-se em calamidade. Como numa roda gigante, tudo o que sobe desce, e se o devido tempo for concedido logo após o trauma, outras oportunidades irão surgir.

A tendência é sempre se perguntar: onde eu falhei, como não percebi, como não evitei? A resposta é: porque a pessoa que tem o mal instalado no coração é capaz de fingir muito, e bem.

Os fatos eram narrados muitos anos depois pelas pessoas que passaram por esses dramas, e nota-se que conseguiram sobreviver à catástrofe e hoje têm condições de relatá-los para uma câmera de televisão, ajudando muito àqueles que hoje passam por situações criticas a perceber que há uma saída, uma esperança.

No caso da infidelidade que comentei acima, nota-se que a inveja é muitas vezes a mola propulsora dos fatos. Ter percebido que, por suas próprias qualificações, nunca teriam chance na vida, algumas pessoas optam por usufruir o que não é seu por direito.

Muitas vezes a ocorrência não é tão dolorosa quanto a constatação da traição. O mais importante nesses casos é a possibilidade de a pessoa poder tocar em frente, agora de outra maneira, daí a importância de saber viver uma vida rica, em várias frentes.

Realmente, os americanos são geniais: ao mesmo tempo em que podem ser desprezíveis, nos legam maravilhas com sua capacidade, criatividade e trabalho.

Os gringos são realmente surpreendentes.

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