Jesus Cristo x Judas Escariotes

einstein1_7Sem levar em consideração religiões ou crenças, temos todos que considerar Jesus (ou seu mito) um homem bom, que pregou somente o amor, a amizade e a lealdade. Foi atraiçoado pelos motivos de sempre, a saber: inveja e cobiça.

Mais de dois mil anos se passaram, e os homens bons continuam sendo atraiçoados pelos mesmos motivos.

A falta de competência comprovada leva os que não a tem à inveja e ao desejo de que “se eu não posso, também não quero para ninguém”, daí sairem passando rasteiras.

Outro grande motivo da deslealdade e traição é a ganância. Mais uma vez, aquele que não tem competência para amealhar riquezas por méritos próprios cria suas próprias desculpas, geralmente do tipo “não estou tirando de ninguém, são pessoas alheias ao meu meio que estão me subornando” e aceitam as propinas, mitigando suas consciências.

Vemos isso hoje em dia corriqueiramente. Parece que já perdemos a capacidade de nos indignar, e ao ler as manchetes nos jornais já não ficamos chocados com a quantidade de malfeitos, negados à exaustão pelos que as perpetraram.

Pensam eles que estão logrando alguém? Talvez os mais ingênuos, pois a maioria sabe de tudo e se faz de morta, mas o boca a boca leva aos sete ventos as desonestidades. Nos dias de hoje, com as possibilidades de comunicação, a notícia corre mais do que fogo em capim seco.

Repetem e repetem que não têm conhecimento de nada. Moluscos, postes e outros bichos parecem disco riscado; todavia, a cada dia, o povo vai descobrindo mais e mais a verdade.

Com tanta gente indo pra cadeia, até os da “zelite”, é muito bom colocar as barbas de molho. Sempre tem alguém disposto a delatar.

Aos outros, resta tão somente expurgar os bandidos de seu convívio. Eu, pessoalmente, já estou adotando a prática de não mais me comunicar com quem sei ser leniente com os malfeitos. Minha vida ficou mais leve. Ando mais feliz.

Joaquins Silverios e Judas Escariotes encontraram tristes fins, mas hoje em dia parece estar faltando corda.

Uma morte virtual já seria muito bom. Sugiro aos que ainda julgam ter um restinho de dignidade que se recolham à sua vergonha, sob pena de ficarem ainda mais visíveis.

Vamos lá minha gente, nada de ter dó de quem não merece. Nada de jeitinho brasileiro.

Não é fazendo tudo da mesma maneira que obteremos resultados diferentes, como já enfatizou Albert Einstein.

O que teria naquele pacote?

livrospriscla— Chegou uma caixa para a senhora.

— Pra mim? O que é?

— Não sei não senhora?

Era uma caixa relativamente grande, de papelão. O que poderia ser?

Sou muito distraída mesmo, mas esquecer essa encomenda foi demais.

Abri cuidadosamente com uma faca, e lá estavam: milhares dos meus pensamentos. Tantas dores, tantos amores, tantas alegrias e desilusões. Tudo ali dentro daquela caixa de uns setenta centímetros de largura por quarenta de comprimento e uns trinta de altura.

Escrever não costuma ser difícil para mim. Os pensamentos fluem com naturalidade, uma bênção. Mas vê-los ali expressos na embalagem em livros de mais de trezentas folhas, foi emocionante.

Fico imaginando todos os amigos e parentes com os exemplares em suas mãos, decifrando cada frase e seu significado.

A intenção é sempre de entreter meu leitor. Claro que cada um deles tem seu gosto particular, mas quando me perguntam sobre que temas escrevo, sempre respondo que “depende do dia”.

Nos tempos que correm, a escrita tomou um ritmo vertiginoso. Tentar digitar durante o tempo do farol vermelho nos obrigou a inventar abreviações e utilizar palavras curtas, sempre. Tão diferente do que estou fazendo agora.

Enquanto escrevia essa crônica, até agora, já tilintou minha maquininha de comunicação dezenas de vezes, com tanta gente postando informações, agendamentos, dezenas de kkkkkkks. Por falar nisso, gente, não é necessário sempre responder a qualquer comentário nas mensagens. Ninguém vai se sentir ofendido nem vai ficar esperando, eu, pelo menos, não vou.

Assunto “livros” resolvido, convites enviados, agora só faltam muitos outros itens a serem ticados: comida, bebida, decoração, limpeza do local, transporte para o mobiliário.

Eu me pergunto: Por que eu invento?

Eu mesma me respondo: Porque é muito legal… Reunir amigos em torno de vários temas, em comemorações de tudo. Não resisto a uma festinha.

Tenho folheado meu novo livro aleatoriamente e escolho uma história a esmo. Até parece um diário. Lembro-me do dia em que a escrevi e o que estava sentindo na hora.

Daqui a alguns anos, estarei provavelmente lendo esta historia e me lembrando da preparação do evento do lançamento de meu segundo livro, este de crônicas.

Foi um bom dia. Muitos esportes de manhã e um porre no telefone com a operadora das máquinas de cartão de crédito. Lembra disso, Priscila?

Será que outro livro será lançado no futuro com novas crônicas? Espero que sim, pois tudo isso é muito divertido.

Ei você: nos vemos na quinta!

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Inspiração

A versão ebook do novo livro de crônicas já está em pré-venda na Amazon: http://www.amazon.com.br/dp/B00YB0LFJU
A versão ebook do novo livro de crônicas já está em pré-venda na Amazon: http://www.amazon.com.br/dp/B00YB0LFJU

Meu próximo livro será lançado no mês que vem, e quando comento isso com alguns amigos muitas vezes sou questionada sobre como escrever um livro.

O que me inspira?

Bem, no meu caso, que sou nova nessa seara, tendo escrito somente um romance e agora uma compilação de crônicas que são escritas semanalmente, não me julgo muito competente para esclarecer. Posso somente dizer que no meu caso cada dia é um dia.

Quanto ao romance, devo dizer que foi algo absolutamente inesperado para mim, que nunca havia escrito absolutamente nada em bases literárias. Parece que aconteceu. Fui fazendo algumas anotações sobre um lugar encantado que conheci e não queria me esquecer de nada. A coisa foi se avolumando, e notei que tinha material suficiente para, juntamente com uma imaginação fértil, criar um livro, a princípio somente para mim. Fui apoiada por meus familiares para tentar editar. Uma grande editora o aceitou por dois motivos: porque o livro era bom e porque eu bancaria a edição. Desconfio que a segunda razão pesou muito mais.

Quanto às crônicas, às vezes amanheço com uma ideia já definida, em muitos outros não tenho ideia sobre o que vou falar e saio à cata de assuntos interessantes no jornal, em revistas ou mesmo nas redes sociais. Deixo tudo para o último minuto. A adrenalina ajuda.

Os temas são os mais variados possíveis, dependendo muito dos acontecimentos da semana e do meu humor. Acredito que a grande maioria seja sobre política, e quando é assim, sou ácida, pois infelizmente vivemos tempos bicudos atualmente. Em compensação, quando escrevo sobre família e amigos, especialmente sobre meus netinhos, me enterneço, e confesso que apesar da fama de durona invariavelmente acabo vertendo lágrimas durante a escrita e também todas as vezes que releio.

Os esportes estão também muito presentes em minhas histórias, pois são parte integrante de minha vida e acho lindo assistir os atletas de alto rendimento praticando seus movimentos impensáveis.

Sou sócia de um grande clube, que sempre soube valorizar as atividades esportivas e por muitas vezes contribuiu com o país em olimpíadas e campeonatos mundiais, oferecendo suas instalações e corpo técnico para trazer inúmeras medalhas para o Brasil. Então, muito próximos de mim, passando ao meu lado, estão os heróis que aparecem na televisão e que a gente admira.

Acho que essa vontade de não ficar para trás que o esporte me ensinou foi o que me levou a escrever as crônicas, pois minha editora lançou um desafio para seus autores: escrever uma crônica semanalmente. A princípio, eu, que nem sabia como fazer isso, declinei; depois pensei que não queria ficar pra trás, estudei um pouco e, metida como sou, escrevi a primeira. Gostei, e aqui estou, dedilhando historietas a cada sete dias.

A prática tem me ajudado. A cada vez fica mais fácil, e a escrita cada vez melhor, salvo em alguns dias em que nada dá certo mesmo.

É uma grande alegria receber comentários pessoais ou virtuais, ou mesmo “curtidas” dos leitores. Hoje já são muitos, e de lugares que nem conheço. Aos poucos, vou fazendo novos amigos, como você que acabou de ler esse texto.

Que sorte!

tenisplayerConsidero-me uma felizarda, pois é de minha natureza gostar de praticar esportes. Vejo a enorme dificuldade que muitos conhecidos têm só de pensar em produzir uma gota de suor fazendo força ou se movimentando.

Para mim é motivo de satisfação fazer força, puxar ferro, correr atrás de uma bolinha, e mesmo os esportes com os quais não tenho muita afinidade consigo praticar e quando não o faço regularmente até sinto falta, e aí está incluída a corrida. A única coisa de que realmente não gosto é de água. Natação não é comigo. Aprendi a nadar quando criança e consigo não morrer afogada dentro de uma piscina. Para salvar minha vida acho que consigo dar braçadas suficientes para percorrer, no máximo, um quilômetro.

Os benefícios para a saúde advindos dos exercícios físicos são sobejamente conhecidos, para a mente também, já que a liberação de substâncias que geram felicidade facilita em muito a nossa saúde mental.

As roupas usadas pelos esportistas sempre trazem o benefício extra de diminuir consideravelmente a idade aparente. Flexibilidade e atitude também têm esse poder.

A turma do esporte é sempre muito de bem com a vida e sempre está falando sobre amenidades, do tipo quanto peso, qual velocidade, quantos quilômetros, quantos pontos, qual o resultado. Isso tudo também alivia a mente.

A maioria das pessoas que têm um grupo de amigos no esporte não precisa de tratamentos psicológicos, pois quando se encontram desabafam suas mazelas de bate pronto. Um café enquanto se espera uma quadra ou outro parceiro já é motivo para longas conversas sobre família, negócios e problemas em geral. Aí se percebe que muita gente já passou ou está passando pelo mesmo problema, que no fim sempre tem solução. Nos sentimos amparados.

Outro benefício incrível é a facilidade bem maior para se perder gordura. Ao aumentar a massa magra, o gasto energético é maior, e com isso fica mais fácil se livrar daquela gordura indesejável.

Isso está parecendo anúncio, mas não é. Ultimamente andei perdendo peso e aumentando a musculatura, e os benefícios são incríveis: muito melhor disposição, menos cansaço físico, sem falar nos ganhos em velocidade e força na prática de esportes. Uma coisa leva à outra e por aí vai.

Portanto, coragem, levante-se desse sofá logo após ler este texto e comece a se exercitar.

Estou aproveitando para responder a todas as pessoas que têm me perguntado como consegui esse corpinho de 60 já tendo 64 anos. É, meus amigos, não existe milagre mesmo. É na conta corrente, tem que sair mais do que entra. No meu caso, entrou menos chocolate e muita malhação. No começo foi mais difícil, mas agora está tudo ótimo.

Nos vemos por aí nas quadras.

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Cara de pau

Marcello Mastroianni em "Oito e meio", de Fellini: "Estou de olho".
Marcello Mastroianni em “Oito e meio”, de Fellini: “Estou de olho”.

Para mim, que sou de uma transparência digna de dó, é de muito se admirar a cara de pau de algumas pessoas.

Tenho ouvido ultimamente de pessoas até de boa fé que em política vale tudo. Peço licença para discordar veementemente. Não vale tudo, não. Muito antes vêm os valores morais, a ética, a amizade.

Lembro-me de ter há muitos anos assistido a um filme italiano. Vou descrever a cena.

Anos 1960; a mulher muito elegantemente vestida em seu tailleur rosa com um chapeuzinho de feltro, saltos altos, abre a porta e se depara com uma cena chocante: seu marido está com outra mulher em sua cama. A esposa começa a fazer um escândalo bem aos moldes italianos, enquanto o marido sai da cama sossegadamente, começa a se vestir e pede à amante que faça o mesmo. Nesse ínterim, a esposa já tinha passado dos berros ao choro convulsivo e à lamentação. A rapariga, sem entender muito o silêncio do rapaz, veste-se rapidamente, ao contrário do marido, que parece não ter pressa e, assim que a garota está vestida, pede que ela saia e até a acompanha até a porta.

A esposa continua sua arenga, enquanto o homem dirige-se a uma poltrona, pega um jornal e começa a ler. Depois de um certo tempo, olha a mulher com uma cara de espantado e pergunta: “O que aconteceu? Por que está gritando e chorando?”

Ela recomeça tudo desde o princípio, repete para o rapaz que, parecendo muito confuso, diz que não está entendendo nada.

“De que mulher você está falando? Está passando mal? Bebeu?”

Se fosse nos dias de hoje, perguntaria também: “Fumou? Cheirou?”

A moça nesse instante se cala, e olha atônita para o italiano malandro, que continua sua farsa dizendo que ela anda muito cansada e que ele não tem sido um marido carinhoso, muito ausente, mas que pretende corrigir essa falta. Vai se aproximando dela, entrega-lhe uma taça de vinho, toma sua mão, enxuga suas lágrimas, abraça e beija carinhosamente seus lábios salgados pelas lágrimas, diz que não quer vê-la sofrer etc.

Pois muito bem. Assistimos incrédulos a esse tipo de comportamento ao nosso redor. Algumas pessoas, assim como a ingênua esposinha, caem no canto da sereia dessas pessoas malignas.

Acordem, gente!! Não se deixem enganar por um tapinha nas costas, juras de eterno amor etc. Acreditem no que seus olhos veem.

Temos que tirar essas pessoas de nosso convívio, e de nossa política. Acredito, sim, que um dia poderemos expurgá-las de nossa política e de nossas vidas. As que nos cercam, basta ignorá-las; as que elegemos, basta não cometer o mesmo erro nas próximas eleições.

Hoje em dia, aquela pobre esposa teria muito mais facilidade para descobrir a verdade sobre o seu malandro marido. Hoje todos têm sempre uma câmara à mão. Os corredores e elevadores dos prédios têm câmaras de vigilância. As redes sociais explodem em fofocas, com todo mundo querendo se meter na vida de todos. Portanto, não temos mais desculpas.

A ciranda da vida

roda-da-vidaGosto de assistir a alguns programas americanos, pois esses caras têm uma grande criatividade, para o bem e para o mal.

O que estava assistindo durante minha parada para almoço contava a história de uma senhora, uma dona de casa que não tinha noção de com quem estava casada. Seu marido, um pacato rapaz do interior, nunca havia dado mostras de ser o ser humano quase fera que havia estuprado e matado várias mulheres e crianças.

É impressionante como algumas pessoas conseguem esconder até das pessoas mais íntimas seu verdadeiro caráter.

Outro caso era o do rapaz que havia sido acolhido por um amigo que lhe deu guarida e a família que nunca teve, e juntamente com a mulher de seu anfitrião, que era sustentada pelo marido, cometeu adultério dentro do próprio lar que os acolheu. O marido teve que carregar para sempre a visão terrível do que um dia aconteceu em seu quarto. Pois bem, a aceitação da verdade, a perda das pessoas amadas, a terrível culpa por não ter percebido nada, fez a vida daquelas pobres almas descer ao inferno, mas…

A vida continua em ciranda. Tudo tende a mudar, e o que um dia é só alegria e felicidade transforma-se em calamidade. Como numa roda gigante, tudo o que sobe desce, e se o devido tempo for concedido logo após o trauma, outras oportunidades irão surgir.

A tendência é sempre se perguntar: onde eu falhei, como não percebi, como não evitei? A resposta é: porque a pessoa que tem o mal instalado no coração é capaz de fingir muito, e bem.

Os fatos eram narrados muitos anos depois pelas pessoas que passaram por esses dramas, e nota-se que conseguiram sobreviver à catástrofe e hoje têm condições de relatá-los para uma câmera de televisão, ajudando muito àqueles que hoje passam por situações criticas a perceber que há uma saída, uma esperança.

No caso da infidelidade que comentei acima, nota-se que a inveja é muitas vezes a mola propulsora dos fatos. Ter percebido que, por suas próprias qualificações, nunca teriam chance na vida, algumas pessoas optam por usufruir o que não é seu por direito.

Muitas vezes a ocorrência não é tão dolorosa quanto a constatação da traição. O mais importante nesses casos é a possibilidade de a pessoa poder tocar em frente, agora de outra maneira, daí a importância de saber viver uma vida rica, em várias frentes.

Realmente, os americanos são geniais: ao mesmo tempo em que podem ser desprezíveis, nos legam maravilhas com sua capacidade, criatividade e trabalho.

Os gringos são realmente surpreendentes.

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Utilidade Pública

mosquito-dengue-Super-650pxCaros leitores, valho-me deste espaço para fazer um alerta: ESTAMOS NUMA EPIDEMIA DE DENGUE!

Vários conhecidos estão infectados, e relatam que a doença é grave e os sintomas terríveis, especialmente febre e muitas dores.

Temos o mau hábito de reclamar das autoridades, mas será que estamos fazendo nossa parte? Fomos até nossos jardins e pátios para verificar se não ficou alguma água parada em algum vasinho?

De minha parte, vou fazer hoje mesmo uma verificação muito criteriosa, pois ontem mesmo percebi que havia alguns pratinhos com água sob os vasos. Vou virá-los agora mesmo.

Sei também que algumas calhas ficam entupidas e concentram em si água onde o mosquito pode se proliferar. Não podemos esquecer também de nossas plantas que acumulam água em suas folhas. Bagulhos nos jardins também podem acumular.

Há alguns anos, ajudei a organizar uma palestra sobre ética e cidadania. Percebo que muitas pessoas não sabem exatamente do que se trata a cidadania, eu mesma aprendi muito sobre o tema naquela palestra.

A cidadania diz respeito aos direitos das pessoas. Entretanto, esses direitos não surgem do nada. Nascem da convivência em sociedade, das nossas relações interpessoais, do ambiente e da coisa pública. Aprende-se na escola também, mas deve vir de casa a prática dessas relações: desde bebê uma pessoa deve ser ensinada ao convívio com outros seres, sejam humanos ou de outras espécies, mostrando que deve se dividir, desde os brinquedos até conhecer os comportamentos dos animais para poder respeitá-los em suas necessidades, preservando sua integridade física e emocional.

Voltando ao tema, quero lembrar que o mosquito transmissor é o aedes aegypti, que tem menos de um centímetro é de cor marrom ou preta e tem listras no corpo e pernas. Pica nas primeiras horas da manhã e fim de tarde, evitando o sol forte.

Deve-se sair de casa, especialmente as crianças, com repelente de insetos — comercial ou caseiro, feito com uma concentração de álcool e cravo por quatro dias e depois misturado em óleo para o corpo.

Não podemos dar trégua a esse inseto, pois as consequências podem ser funestas. Há casos de morte entre os doentes.

Todo esse transtorno trouxe pelo menos algo de bom: minha filha está dedetizando sua casa hoje e se mudou com toda a família para a minha. Esta noite vai ser uma farra total.

Enquanto isso, vou fazer minha vistoria pelo jardim. Vá você também.

Orquídeas

Orquideas-EcuageneraA sexta-feira amanheceu ensolarada. Minhas orquídeas, que fixei na minha “pata-de-vaca”, estão floridas numa profusão de cores, formatos e tamanhos. Entretanto, apesar de admirar tanta beleza, meu coração está confrangido.

O que acontece com nosso povo? Se habituou à maracutaia?

Meu marido, inconformado, me diz:

— As pessoas aceitam os malfeitos com facilidade. Todos sempre têm uma desculpa para infringir as normas e acham que no seu caso é diferente, que não estariam causando danos a ninguém. Que o dinheiro vinha de fora! Que não pertencia a quem de direito e poderia estar se beneficiando de eventuais descontos, que seriam concedidos para o benefício de todos.

Eu retruco:

— Mas nós não podemos afrouxar nossos padrões. Ainda existe muita gente, aliás, a maioria, que pensa como nós.

Entretanto, sinto que ele tem razão. As pessoas não se aviltam mais com pequenos delitos, até os médios já são tolerados, somente os cometidos pelos que estão muito distantes e geralmente afiliados a partidos distintos dos nossos é que são condenados em nossos pequenos círculos.

Aqueles que ainda têm o poder de se indignar têm que se unir, e não permitir que venham pisar com suas botas sujas nossos jardins, matando as nossas flores. Não devemos permitir que roubem nossas vozes, enquanto ainda tivermos capacidade vocal para gritar nossa indignação.

Vejo minhas orquídeas e penso em sua delicadeza, como seriam facilmente arruinadas se não estivessem tão bem protegidas. Com certeza alguma senhora munida de sua tesourinha cortaria seus galhos, levando minha beleza para fenecer rapidamente em alguma lata de óleo descartada. Com certeza nem passaria por sua cabecinha branca que aquilo não lhe pertence, que alguém que tinha muito carinho por sua criação estaria sentindo falta de seu bem.

A sociedade, apesar de ter conhecimento de muitos atos ilícitos e antiéticos, aceita e recebe de braços abertos aqueles que os cometem, mas, não se iludam, suas reputações estão manchadas para sempre, e pelas costas os estão achincalhando.

Não é de minha natureza aceitar essas pessoas. Embora muitas vezes nada se possa provar contra elas, sabe-se o que estão fazendo. Suas famílias serão para sempre estigmatizadas por seus atos espúrios.

Sou criticada por minha sinceridade. Sim, esse é um “defeito” que reconheço em mim. Não importa, felizmente lido muito bem com as críticas e normalmente elas vêm de gente que não me interessa.

O sol continua altaneiro reinando no céu, e exaltei toda a beleza da manhã. Depois não me venham dizer que não falei de flores.

Strix

strixPrimeiro vem o sonho.

Idealiza-se uma ideia sempre achando e esperando que tudo seja muito mais fácil do que na realidade é, por isso é um sonho.

Achar um nome para uma quimera é mais difícil do que parece. Tem que soar bem, ser diferente, fácil de pronunciar e de memorizar, e tem que ter um significado. Vamos procurar na mitologia.

Depois vem a hora de pôr no papel todas as necessidades; daí a ficha dá o primeiro sinal de que vai cair, mas o otimismo, que é a característica dos empreendedores, continua fazendo achar que a taça está meio cheia, e de vinho tinto da melhor qualidade.

Conforme o tempo vai passando e a obra atrasando (um parêntese aqui: obra sempre atrasa), os custos vão se mostrando muito maiores do que se sonhava, devido ao atraso e aos percalços que sempre ocorrem nas construções, que no Brasil contam com gente sem especialização e que, por isso mesmo, acham que seu lugar é trabalhando em obra.

A ficha já vai procurando a brecha por onde cair. O vinho já evaporou e nota-se que a taça é de vidrão grosseiro; também já não está tão doce como nos primeiros goles.

Depois, na hora da contratação da mão de obra, nota-se que por mais que se tenha esperado por isso os funcionários vão precisar de muito mais treinamento do que se calculou.

Finalmente, tudo pronto, tinindo, lustrado, maravilhoso… perfeito: é hora de mostrar pro povo a que se veio, outra tarefa pra gigante. Como fazer as pessoas irem pessoalmente constatar a belezura?

Minha família sonhou uma clínica veterinária. Já passamos por todos os processos acima descritos e estamos na fase de divulgação. Felizmente, dentro da própria família temos profissionais de várias áreas: maridão, obra; filha e genro, veterinários; filho administrador e financista; a outra filha marqueteira; e eu na assistência, pau pra toda obra, incluindo cuidar da prole.

Para assuntos de saúde, onde estão envolvidos sentimentos, é necessário credibilidade. Não é como entrar num site e encomendar um aspirador que nunca chega; trata-se do bem-estar de criaturas amadas, e deixá-las em mãos desconhecidas é sempre uma dificuldade. Portanto, tem-se que começar com os amigos, que conhecem nosso grau de comprometimento, e daí o boca a boca faz o seu papel.

Escolhemos o nome “Strix” depois de muito pesquisar. Significa coruja, que é o animal-símbolo da sabedoria.

Já tomamos a decisão. Jogamos o resto do vinho azedo fora, compramos taças de cristal finlandês, o vinho foi escolhido a dedo e brindamos contentes mais uma etapa de nossas vidas.

Quanto a vocês, nossos amigos que amam os animais: venham brindar com a gente!

Ah! A moeda começou a cair, e esperamos que venha acompanhada de muitas e muitas outras, como numa máquina em Las Vegas.

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